outubro 28, 2026 05:48

Bahia: 233 denúncias de violência contra profissionais de enfermagem em oito meses

Nariz sangrando e supercílios partidos. Em vez de cuidarem dos pacientes, três enfermeiras precisaram de atendimento médico após serem agredidas por um acompanhante durante um plantão no Hospital Professor Eládio Lassére, em Cajazeiras, Salvador, em abril deste ano. O episódio está entre os casos de violência contra profissionais de enfermagem registrados na Bahia, que somaram 233 processos entre janeiro e agosto de 2026, número que já supera os registros de todo o ano de 2025, quando foram contabilizados 163 casos.

Segundo o Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), foram 565 processos entre 2024 e agosto de 2026, incluindo 169 em 2024. Entre as ocorrências estão suspeitas de agressões físicas, ameaças, violência verbal, assédio moral, injúria, discriminação racial, perseguição e abuso de autoridade.

Diante desse cenário, o Coren-BA lançou, em outubro, em Salvador, a Campanha de Combate à Violência na Saúde, voltada à conscientização de pacientes e acompanhantes sobre o respeito aos profissionais. “A gente ficou alarmado com a quantidade exagerada de agressões, seja física, verbal ou, muitas vezes, até sexual, que os profissionais estão sofrendo na ponta”, afirmou o presidente da entidade, Davi Apóstolo.

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 28% dos profissionais da categoria no Brasil sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho nos últimos anos. A campanha também alerta que problemas como superlotação, demora no atendimento, falta de insumos e equipes reduzidas não são de responsabilidade individual dos trabalhadores. “O profissional que está ali atendendo não é culpado diante desse cenário caótico do serviço de saúde. Ele está ali para prestar assistência”, destacou Apóstolo.

Para incentivar a denúncia e a responsabilização dos agressores, o Coren-BA mantém um canal exclusivo para relatos de violência, disponível pelo e-mail denunciasassedio@coren-ba.gov.br. A orientação é que as vítimas registrem boletim de ocorrência e reúnam provas, como fotografias, documentos e testemunhas. Em parceria com o Ministério Público do Trabalho, sindicatos e instituições de saúde, o Conselho também fiscaliza as condições de trabalho da categoria, incluindo o cumprimento da Lei Federal nº 14.602/2023, que prevê locais adequados de repouso durante a jornada. Segundo Davi Apóstolo, instituições privadas receberam prazo até o fim de outubro para se adequar à legislação, sob risco de intensificação das fiscalizações e adoção das medidas cabíveis.

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